FRANKENSTEIN (2015)


Sempre que lançam mais um filme baseado em Frankenstein, a primeira memória que me bate é a frase:

- Bonito, Victor!

Ela aparece em algum dos muitos filmes baseado no primeiro livro de ficção científica da história. A escritora inglesa Mary Shelley o escreveu entre 1816 e 1817. De acordo com o site list challenger existem até o momento 55 filmes baseados em um livro escrito há 199 anos por uma garota de 19 anos, deve haver algo interessante nesta história.




A versão sobre a qual estou escrevendo foi feito em 2015 e vou esquecer um pouquinho a história original para falar exclusivamente neste filme. Ele é um tanto sangrento e é completamente desaconselhável assisti-lo enquanto se come algo, mesmo que seja pipoca.
O filme tem início com o sonho de todo cientista de ser adorado em lugar de Deus. E eis que o Dr. Victor Frankenstein e sua esposa fabricam um belo rapaz em um laboratório. Um dos pontos certeiros nesta versão é mostrar toda a beleza da criatura no início do filme, em contraste com a aberração resultante no final. O filme é narrado por ele e o ator australiano Xavier Samuel consegue fazer uma criatura cativante com a idade mental de um bebê. Para os que preferem ver esta história como uma profecia, é interessante saber que segundo o historiador americano G Edward Griffin, há uns 4 anos dizia que já existiam no mundo pelo menos 500 bebês geneticamente modificados.




Adam, o nome que a cientista Mary dá a sua criatura é mais contundente prova de que o objetivo dos dois é criar uma vida, muito mais perfeita do que qualquer ser já criado por Deus. Mamãe começa então tratando seu desajeitado bebê dando leite e papinha a ele. Importante novamente destacar o talento do ator que mostra toda a fragilidade de um recém-nascido em um corpo adulto.

  • A primeira adaptação para o cinema foi feita pelos Edison Studios em 1910. Foi produzida por Thomas Edison (inventor da lâmpada incandecente) e trazia Charles Ogle no papel da criatura. 

E eis que em algum momento um caroço aparece no rapaz e após todos os testes ele passa de filho querido a experiência malsucedida e abandonado para morrer. E a tragédia maior é saber que aquele ser que começa a se deformar tem uma consciência. Ele sente dor, solidão, pânico. Então apesar de sua força sobre humana ele é um ser digno de pena.
Tudo o que ele faz, todas as pessoas que ele mata é apenas e tão somente em autodefesa. Seu gesto de salvar uma garotinha afogada é recompensado com tiros e pauladas. E o que é pior: ele não entende o porquê de toda aquela selvageria contra si próprio. Vemos assim que o ser humano consegue ser tão desprezível quanto um monstro criado em laboratório.


O que é mais trágico é que o pobre ser evolui, aprende a falar e a pensar. Mesmo um cego que é o único a lhe tratar com alguma piedade e amizade tenta mata-lo, quando ele acidentalmente mata uma prostituta que desistiu de fazer sexo com ele ao ver toda a extensão de sua deformidade. Esta parte do filme traz a sensação que mesmo a beleza e o sentimento de prazer advindas do sexo só podem ser uma bênção divina, irreproduzível em laboratório.



O Castelo Frankenstein na Alemanha teria sido a inspiração para Mary Shelley. 


No filme X-MEN Origens - Wolverine o ator Danny Huston, que interpreta o Dr Victor Frankenstein, interpreta o cientista responsável pela transformação do Logan na Arma X, ou Wolverine. E assim como neste filme tem um fim trágico, quando uma mutante o obriga a andar até não conseguir mais.



E após uma sucessão de mortes causadas pela criatura que chama a si mesmo de monstro, ele procura seus criadores, os quais tentam convencê-lo que vão recriá-lo em um novo corpo. Como todo cientista que se presa, não basta fazer cagada uma vez, tem de refazê-la até que o único seja a morte. Nesta parte podemos perceber a diferença entre preconceito e autodefesa. Aquelas pessoas não estão sendo cruéis com o belo rapaz do início do filme, estão se defendendo da aberração que ele se transformou e que está resultando na morte de pessoas.

  • Embora a cultura popular tenha associado o nome Frankenstein à criatura, esta não é nomeada por Mary Shelley. Ela é referida como “criatura”, “monstro”, “demônio”, “desgraçado” por seu criador. 
Ao fim deste filme, lembrando novamente que uma história tão profundamente filosófica foi escrita por alguém que em sua época ainda seria considerada uma criança, fica a impressão que o monstro não apenas evoluiu como se reproduziu nas inúmeras aberrações genéticas que habitam este mundo. Resta uma esperança de Deus nunca permita que uma aberração como o Adam deste filme venha a ter vida. Para sorte dele e nossa também.

Uma última observação estética é ver como a atriz Carrie Ann Moss, mesmo depois de 17 anos do primeiro Matrix continua linda.








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Qual seu grande projeto?

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