KRAMER VERSUS KRAMER - DIVÓRCIO E ALIENAÇÃO PARENTAL NUM FILME SÓ


Comparado com os filmes e séries de hoje em dia, nos quais pai e mãe são apenas um bando de retardado, Kramer Versus Kramer é até um filme civilizado. Dá até para esquecer que é só uma propaganda a favor do divórcio e pensar no real sentido do casamento e da relação pai e filhos.

O filme inicia-se com Joana Kramer (Meryl Streep) dizendo:"eu amo você!"  ao sonolento filho, Billy (Justin Henry) e abandonando o mesmo e seu esposo Ted (Dustin Hoffman). Ao contrario do que se vê hoje em dia, Joana não enche o esposo de culpas, ela diz com uma grande dose de sentimento: "a culpa é toda minha!".





O filme então passa a mostrar todas as dificuldade de Ted para sobreviver a tudo aquilo e continuar sendo um bom pai. As correrias para estar com o filho e ao mesmo tempo ser um bom empregado em uma grande firma, o deixam um tanto perplexo. Este filme deveria ser passado em todos os tribunais nos quais um juiz esteja inclinado a pensar que a mãe é essencial para o filho e o pai é descartável. Após a saída de Joana, Ted se torna um pai até melhor e cria um vínculo com o filho que a vida de antes, aparentemente não o deixava ter.


"Eu gostaria de agradecer a meus pais por não praticarem controle de natalidade!" - Dustin Hoffman ao receber o Oscar por Kramer Vs Kramer


Muito interessante a cena em que o garotinho mimado da mamãe o desobedece, escarnece o alimento feito pelo pai e vai na geladeira pegar o sorvete que o pai proibiu. Ted o vai advertendo com toda a paciência do mundo, até que o garoto coloca o sorvete da boca. Ted então pega o menino bruscamente e o tranca dentro do quarto. Apesar de toda a insegurança, ele não vai paparicar a cria revoltosa e quando já está tarde vai lá cobrir o garoto. Este ainda está acordado e diz ao pai: "sinto muito" e "eu amo você". Muito diferente dos pais permissivos de hoje em dia, que deixa os filhos fazerem o que quiserem, até se tornarem vítimas e reféns do mesmo.
Aos 8 anos de idade, Justin Henry se tornou o ser humano mais jovem a concorrer a um Oscar. O filme ganhou 5 deles e concorreu a mais 4.

Outra cena comovente, acontece quando o garoto se machuca feio em um parque. Ted o leva correndo e desesperado para um hospital. O médico diz que vai necessitar dar pontos no garoto e que não é aconselhável ele ficar na sala de operação. Ele então responde, cheio de autoridade: "eu vou ficar lá, porque aquele é o meu filho!". Durante todo o momento da cirurgia, Ted está lá segurando a cabeça do filho, para que este fique imóvel. Aquela cena específica me trouxe lágrimas aos olhos, ao lembra de tantas vezes que passei por elas com meus filhos.


"Eu gostaria de agradecer a Dustin Hoffman a quem eu devo isto!" - Maryl Streep ao receber o Oscar por Kramer Vs Kramer
O mundo dos dois cai ao mesmo tempo, quando Ted perde o emprego e ao mesmo tempo Joana tenta requerer a guarda de Billy. Sabendo que pode perder a guarda do filho, Ted não procura o Bolsa Família ou algum programa comunista do governo. Ele vai procurar um emprego em plena véspera de natal, e lá no meio de uma festa, ele diz à pessoa que pode ser seu novo patrão: "eu já mostrei que tenho capacidade para o emprego e você precisa me dar uma resposta neste exato instante." O que faz com que ele consiga a vaga é exatamente sua insistência em querer trabalhar. Coisa que não se consegue vivendo encostado nas tetas da viúva chamada Estado.

Os últimos e desgastante minutos é o julgamento da guarda do garoto. Interessante que nem Ted nem Joana, tentam denegrir a imagem um do outro. Mas seus advogados são cruéis, querendo mostrá-lo como pais negligentes. O que é dito sobre os dois leva os mais sensíveis a pensar que casamento é um parque de diversões do qual somente pessoa más não conseguem sobreviver.

Infelizmente a vida não é exatamente um mar de rosas e, apesar de tudo, não importa o quanto você se importe ou o tanto que você se doe, algumas histórias não têm final feliz. Divórcio não é algo agradável ou desejável. Ninguém se casa pensando em divórcio. Mas se no final das contas tudo der errado, seria legal que as partes implicadas saíssem da história com um pouco de dignidade. 

Apesar de ganhar a causa, Joana vai ao apartamento de Ted, pede para ele descer, e diz que não vai conseguir tirar o filho dele. Eles então se abraçam e a última cena é Joana entrando sozinha no elevador para ver o filho.

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