O QUARTO DE JACK – PRISIONEIROS DO CRUEL MUNDO MASCULINO



Uma das notícias mais estranhas sobre Hollywood aconteceu quando a China comunista tentou comprar um estúdio de Los Angeles. A primeira pergunta na mente de uma pessoa inteligente seria: para que um país comunista quer comprar um estúdio de cinema americano?

O motivo desta introdução é mostrar que por traz de um emocionante filme pode estar uma mente não muito cristã. E O Quarto de Jack é um desses exemplos, no qual uma história edificante esconde mensagens que não deveriam existir.



O resumo do filme: uma mulher é sequestrada e mantida em cativeiro por 7 anos, além de ser estuprada ela tem um filho naquele lugar, e cria um mundo de fantasias para que ele não saiba que é um escravo. Se você é do tipo que compara filmes, seria como A Vida É Bela cujo herói é a mãe.

O filme é muito bem feito e o desempenho de  (Brianne Sidonie Desaulniers) e de Jacob Tremblay é no mínimo comovente. Para se preparar para o papel ela ficou um mês inteiro dentro de casa e fez uma dieta rígida. O fato de ela ser estuprada nem mesmo é mostrado. Há uma cena em que o fato acontece, mas isto é mostrado através do olhos do garoto, que não faz ideia do que está acontecendo.


Cansada de corrigir as pessoas que pronunciavam errado seu sobrenome Desaulniers,  Brie o mudou para Larson por causa da boneca Kristen Larson, que ela teve quando era criança.


Um fato interessante acontece no final do filme, quando Jack, depois de liberto, pede à mãe que o leve de volta ao quarto e ele percebe como o local é pequeno.

O que há então de tão imoral nesta história? Ele não é um filme feminista no sentido de que as mulheres são seres superespeciais. O que acontece é que os homens que são mostrados têm o caráter no mínimo asqueroso. É esta a visão da roteirista e escritora do livro no qual o filme se baseia.

"Eu também gostaria de agradecer meus país, eu os amo muito!" - Jacob Trembley recebendo o trofeu de Melhor Ator Mirim do Critics Choice Award


É assim que se sente sabendo que um homem é capaz de manter uma mulher e uma criança, que por acaso é seu filho, prisioneiros por anos a fio. Não é apenas um clichê mostrar os pais como seres desprezíveis, vide Sociedade Dos Poetas Mortos, Beleza Americana ou qualquer outro filme que retrate uma família. O pai neste caso é um ser desprezível em todos os aspectos.

Brie Larson, lendo a revista Capitã Marvel com o uniforme da heroína que ela irá interpretar em seu próximo filme.

Sim, eu sei que existem homens como aqueles. O problema acontece quando, sempre que você está na frente de uma tela de cinema, principalmente com seu filho, o pai retratado na tela não passa de um animal. Seu filho invariavelmente irá julgá-lo com as lentes de Hollywood, as quais sempre irão aumentar seus defeitos.

Outro retrato de pai é mostrado quando ambos são libertos. O pai da moça simplesmente não consegue sequer olhar nos olhos do garoto. Ele não consegue enfrentar o fato de que ele é fruto de um estupro. Obviamente que este pai não vive com a esposa, da qual se divorciou e cujo esposo atual trata Jack com um pouco mais de humanidade.

"Eu gostaria de agradecer Jacob Trembley, meu parceiro em tudo isto. Meu verdadeiro parceiro em tudo isto." - Brie Larson ao receber o Oscar por O Quarto de Jack

Além destes maus exemplos do que seja um homem, há também a figura do garoto. Ele é um homem que foi criado pela mãe em uma situação estrema de abuso. Passa então a ser uma criança alienada do mundo, frágil e com uma aparência feminina. O ator mirim consegue transmitir toda a fragilidade de Jack e também o pavor que ele tem da figura masculina. Mesmo depois de liberto, ele tem muita dificuldade de relacionar-se com pessoas do mesmo sexo. Algo perfeitamente compreensivo em sua situação. Ele não consegue ver o homem com quem sua avó é casada, como a pessoa generosa que é.

É mostrado também que a maioria das pessoas que os ajuda são mulheres. A policial que descobre o cativeiro de sua mãe, a bondosa avó a quem o menino diz que ama. E obviamente a heroica mãe que suportou tudo aquilo por amor ao filho.

Ao final do filme, a não ser que você tenha sua mente treinada para ver as mensagens nada subliminares, achará que assistiu a uma obra perfeita e passará a julgar pequenos deslizes dos homens com a mesma intensidade de um estupro. Nem perceberá que junto com toda aquela edificante mensagem é jogado na sua cara que você deveria ter sido abortado ou dado para adoção, se estivesse na mesma situação de Jack. Isto inclusive é insinuado por uma reporter, o que leva Ma a tentar suicídio.

Se a algo que se pode dizer sobre este filme é que o garoto merecia o Oscar, tanto quanto a atriz que interpreta sua mãe, a qual será vista em breve em mais um filme da Marvel.





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