IMPOSSÍVEL ACREDITAR QUE PERDI VOCÊ!



"É estranho como a justiça é lenta. Mas a injustiça é rápida como um raio." - Antígona (Sófocles) - 442 Antes de Cristo



A primeira vez que vi o rosto do meu filho foi em uma LAN HOUSE. O sorriso dele era contagiante e parecia que eu já o amava desde o nascimento. Eu entrei nesta jogada para agradar minha esposa. Desde que nos conhecemos ela falava deste sobrinho ao qual ela amamentara e que sempre serviu apenas como moeda de troca entre sua irmã, que gerara o garoto, e o avô do mesmo.

O que é mais interessante desta história é que não era a primeira vez que eu o via. Era a primeira vez que tínhamos contato com ele me chamando de pai. Eu já o tinha visto quando tinha apenas um ou dois anos de idade, na casa de uma outra tia, a qual eu frequentava, por ser amigo de um irmão dela. Neste tempo eu não conhecia minha esposa.

Como esta é uma história de pai e filho, vou pular a parte em que me casei com a mãe dele. O que importa é que tomei a decisão de adotá-lo quando tinha 10 anos de idade. E para isto fui buscá-lo na cidade de São Paulo. Um amigo meu, na casa de quem me hospedei disse ao nos ver juntos: "não sei de qual dos dois tenho mais inveja".

Apesar de todo o amor instantâneo que existiu entre nós, a convivência não foi nada fácil. Giovani tinha todos os maus modos de um garoto de rua. Era brigão e arranjava encrenca fácil. Várias e vária vezes, tive que ir buscá-lo na escola Henrico Bertoni, por ter sido expulso da aula. Não sei por que cargas dágua, a professora Olívia também tinha gostado muito do meu filho e se empenhado em moldar sua personalidade. Pode parecer história de ficção, mas ela solicitou que seu horário de trabalho fosse mudado para a tarde, porque ele não estava velho demais para estudar com tantos garotos bem mais novos que ele.


Anos mais tarde, consegui uma bolsa de estudos em uma faculdade da cidade. Não era a coisa mais fácil do mundo ter de trabalhar na Companhia de Eletricidade, com seu clientes mau humorados, cuidar de uma família, cujo filho não era exatamente um santo e ainda estudar à noite. A para completar o pacote, minha esposa engravidou na época mais tumultuosa de nossas vidas.

Como tudo que está ruim pode piorar, em um dia de prova faço a besteira de abrir a internet exatamente uma hora antes de fazer uma prova. Lá pelas tantas uma noticia cai como bomba em meu cérebro: 3 garotos da cidade foram presos pro tentativa de assalto a uma chácara. Dois deles espancaram e amarraram um senhor idoso, enquanto o outro vigiava a estrada para ver se não vinha alguém.

Esqueçam faculdade, não consegui terminar nem aquela prova e nem mesmo o curso. No dia seguinte estou com minha esposa e o rebelde na frente de um promotor público o qual foi designado para tomar seu depoimento. Como a justiça é acelerada quando o assunto é vingança, o promotor não transpôs para o papel o fato de que a polícia prendeu meu filho e o eletrocutou, enquanto ele tomava banho na casa dos dois vagabundos com os quais ele se meteu. Se isto tivesse sido feito, meu filho sairia solto daquele forum.


Entenda que de modo algum o estou desculpando. As palavras que eu disse para ele no único momento em que estivemos juntos, antes de o mesmo ser mandado para o presídio, devem ter doido muito mais que a surra que o mesmo tomou da polícia. Nos 6 anos que convivemos nunca o vi chorar tanto, mesmo mesmo nas várias vezes que minha cinta de couro tiveram contato com suas nádegas.

Daquele depoimento até um julgamento que durou no máximo 20 minutos foi a coisa mais rápida do mundo. A sede de vingança contra os três marginais que espancaram um velho indefeso, fez com que toda a cidade gritasse por justiça. Mesmo eu achava que ele tinha de ser punido exemplarmente, para quem sabe deste modo se consertar.

Antes de ser alocado definitivamente na Fundação Casa de Lins, aos cuidados de Dona Leila, que tinha a alcunha de o Juiz. Ele passou um mês em São Paulo. Após a avaliação, a responsável por aquela unidade recomendou que o mesmo fosse solto e os outros dois continuassem presos.

Entretanto, não era este o destino traçado para ele. Por ordem do juiz o mesmo foi enviado à Fundação Casa de Lins e lá ficou por dois longos anos. Isto apesar de um laudo da própria Fundação Casa, da unidade que ele ficou em São Paulo, definir por sua soltura.

Se você acha que o pior pesadelo de um pai é ter de tirar toda sua roupa e abaixar-se completamente nu, você não sabe o que é agonia. Agonia é não ter a quem recorrer e ainda ter alguém que deveria representar uma ficção chamada justiça, se meter em assuntos que estavam além de sua competência. Foi isto que fez a senhora Leila.

Caso meu filho tivesse sido preso e condenado a um tempo determinado, seria bem menos torturante do que vê-lo sendo avaliado a cada seis meses e reprovado, pelo simples capricho de alguém que sentiu-se envergonhada por alguém recorrer a todos os órgãos possíveis. Até a Anistia Internacional e a senhora Dilma receberam e-mails meus. Afinal de contas eu não estava brincando de ser pai de um garoto problemático. E cá entre nós, eu fiz um trabalho bem melhor que o todo poderoso estado em recuperar uma alma corrompida.

E, o cúmulo das atrocidades, aquela vaca se meteu no processo de adoção do garoto que ainda se arrastava. Não contente em colocar meu filho contra mim e minha esposa, ela permitiu a visita da vadia que a colocou no mundo, a qual subornou o garoto prometendo tudo o que já tinha prometido antes.



Então, assim que saiu daquela masmorra do inferno, ele simplesmente disse ao juiz da adoção, o qual era o mesmo que o condenou, que iria dar uma outra chance à mamãezinha querida. E como eu já havia dito a ele, após tudo aquilo ele não ficou nem comigo nem com ela. E obviamente que procurei me dedicar ao meu filho recém nascido. Mesmo o amor que eu tinha por ele nunca tendo morrido.

Moral da história: não importa o quanto você queira. Não importa o quanto você se dedique. Algumas histórias não nasceram para ter final feliz.

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