LUKE CAGE - TODO "JOVEM" NEGRO DEVERIA ASSISTIR

Um vídeo publicado por Luke Cage (@marvelslukecage) em

O que existe de melhor na série Luke Cake é que ela não é uma série dirigida por Steven Spielberg ou mesmo Kevin Smith. Nenhum episódio foi escrito pelos irmãos Coen e não é protagonizada por Matt Damon, Nicolas Cage ou qualquer outro ator branco famoso.

Ela é escrita por negros, dirigida por negros e os poucos brancos ou brancas que vi são meros espectadores. Até o dia de ontem, eu não fazia ideia de quem fosse Mike Coulter, o negão charmoso que interpreta Luke. E dos atores que vi em cena, os únicos, ou únicas, que eu já tinha visto antes foram Sonia Braga e Rosario Dawnson, nesta ordem.

                                           

Júlia Matos (Sonia Braga) diz ao namorado Cacá (Antonio Fagundes) que vai largar dele para morar em Nova Iorque. - Dancing Days (1978). A série Luke Cage se passa em Nova Iorque.

Então um bando de negros vai para a tv e joga na cara dos outros negros como eles devem se comportar na vida. Seja ele um negro muito mala ou o negro mais heroico do mundo. Você tem de se comportar com dignidade. As músicas são de ótima qualidade e em momento algum você vê alguém usando drogas ou se comportando como se fossem vítimas da sociedade. 




Eu fui torturado e desprezado pelo meu pai? Eu posso até me tornar o vilão número um do Harlem. Mas este vilão tem que ter um aspecto tão agradável que dá até pena vê-lo morto. Não porque ele não mereça morrer, mas porque ele tem o carisma de um show bisness e o talento de um pianista. Em momento algum você vê um negro berrando feito uma bicha louca, mau comida. Os brandidões falam com uma voz compassada e em tom baixo.



E o que é mais importante a se perceber: não importa o quanto você foi torturado ou sua vida foi um lixo. Você tem escolhas na vida e estas escolhas não dependem da cor da sua pele. O garoto negro que quer entrar no mundo do crime devolve o dinheiro roubado, não porque esteja com medo do bandidão negro cara de mau. Ele está envergonhado por causa do Pop, um negro idoso que fez de sua barbearia, uma zona neutra na qual falar palavrão significa colocar dinheiro em uma jarra. 


E até aquele momento o herói do Harlem não é Luke. Não é a ele que todos temem ou respeitam. É um mísero barbeiro, que não é rico nem tem super poderes como Luke. É por causa do Pop, o qual não é sequer seu parente, que Luke passa a se importar com os outros e assume uma responsabilidade diante da vida.

E nestas escolhas da vida, um negro escolhe ser o mafioso, o outro negro escolhe ser o matador sanguinário, uma negra escolhe ser uma policial para prender a negra vereadora corrupta. Tudo isto num mundo de negros no qual as cotas são de 97 por cento pelo menos.



Ainda neste mundo negro, um negro mata recitando textos da Bíblia, enquanto uma negra adolescente é assassinada por uma negra corrupta, porque não quer ser denunciada para a negra chefe de polícia.

E assim, num mundo totalmente negro, é possível ver que o ser humano pode escolher o que há de melhor ou de pior na vida. E arcar com as consequências de suas escolhas, sem ficar choramingando que o governo não fez isto ou aquilo por ele.


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