24 HORAS - O ESTADO X SUA CONSCIÊNCIA

"Nós nascemos neste momento e devemos bravamente seguir o caminho para o fim destinado. Não há outro caminho. Nosso dever é segurar a posição perdida, sem esperança, sem resgate, como o soldado romano cujos ossos foram encontrados em frente a uma porta em Pompéia, que, durante a erupção do Vesúvio, morreu em seu posto porque se esqueceram de liberá-lo. Essa é a grandeza. Isso é o que significa ser um puro-sangue. O fim honroso é a única coisa que não pode ser tirado de um homem ".Oswald Spengler, Man and Technics: A Contribution to a Philosophy of Life



Estou assistindo a quinta temporada da série 24 horas. Ao mesmo tempo assisto Designated Survivor, ambas com Kiefer Sutherland no papel principal. Na primeira ele é um agente federal que está sempre tendo que burlar a lei para proteger seu própiro país. No segundo ele é alguém que por uma fatalidade do destino torna-se presidente e tem que lidar com um bando de conspiradores, sem fazer idéia de quem sejam eles.



Uma cena de 24 horas me levou a escrever sobre ela especificamente. Nela, toda um órgão do governo destinado a combater o terrorismo é levada a tomar providências e agir contra a vontade de alguém que se auto promove chefe de todos. O sujeito é um americano patriota e em episódio sua decisão leva à solução de um conflito sério. Pensando então que eles estão combatendo toda forma de terrorismo, pode-se pensar que suas ações visam apenas "o bem maior da maioria". 



Quando Lynn (Sean Astin, o amigo do Frodo de Senhor dos Anéis) descobre que estão agindo contra suas ordens, ele ordena a prisão do verdadeiro chefe daquela agência e de outros funcionários. Um dos agentes diz a ele que o está depondo do posto baseado em uma lei e declarando que ele não tem condições emocionais para continuar comandando. Ele então ordena a dois guardar que prendam ao agente que o está desafiando.

E ai que o caldo entorna quando Curtis diz que, se os guardas o obedecerem ele irá sacar sua arma. E Lynn ordena que os guardas atirem nele, caso o faça. Como os guardas sabem quem é Curtis e o quanto ele é tão bem treinado quando Jack Bauer, eles perguntam a Curtis o que deseja que o façam. 

Em uma cena que dura pouco mais de um minuto você pode concluir que o Estado, não confundir com os Estados Unidos, é uma entidade inexistente que usa pessoas armadas para protegê-lo. Para Lynn, representante máximo do Estado naquela cena, não interessa quantas pessoas irão morrer por causa de sua birra. Interessa apenas que seus desejos burocráticos sejam obedecidos.

Entretanto, o mais importante nesta situação não é a ação de Lynn, ou de Curtis, ou dos outros agentes que estão tentando evitar que um gás mortal seja usado como arma biológica na cidade de Los Angeles. O importante mesmo é observar o comportamento dos dois guardas. Mesmo sendo apenas dois seguranças em um prédio, eles sabem que têm de tomar uma atitude e que qualquer que seja ela, haverá consequências. Mesmo não entendendo a lei que Curtis está invocando, eles ficam do lado que parece mais sensato. Eles mostram que, algumas vezes, você terá que desobedecer o Estado e obedecer sua própria consciência, mesmo que como prêmio você seja preso, como aconteceu com o chefe Bill Buchenan.

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Qual seu grande projeto?

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